Projeto Água inaugura Museu do Barco Mário Veiga

por Projeto Água

Projeto Água fez uma bela homenagem a Mário Veiga, 88 anos, viúvo, português radicado no Brasil desde meados dos anos 1970. O administrador de empresas aposentado tem um hobby que conserva desde a década de 1980, quando ainda morava em São Paulo. Hoje ele mora sozinho na cidade de Miguel Pereira, Rio de Janeiro, depois de viver em Petrópolis.

Mário é um artesão que constrói barcos em miniatura, peça a peça, usando as plantas dos projetos originais, montando cada detalhe. Um genuíno modelista naval. Não imagine que basta encaixar as peças para ter o barco pronto, há a necessidade de moldar cada peça. Um projeto pode levar até um ano para ser terminado com dedicação diária. As peças e detalhes são minuciosamente estudados, pesquisados e executados. Muitas vezes são necessárias viagens internacionais para conhecer os projetos originais das naus, caravelas, barcos e navios a serem feitos. 

Ao longo do tempo no Brasil, Mário fez inúmeros amigos, entre os quais Ivens Paulo Dias da Silva. Um antigo funcionário que hoje é um empresário apaixonado pelos barcos. A cada ano faz a encomenda de um novo exemplar para a sua coleção particular. Depois de tantos anos de amizade, Ivens fez uma belíssima homenagem ao amigo Mário Veiga: montou um museu com a coleção de diversos barcos em Petrópolis, Rio de Janeiro. E na quinta-feira, 01 de fevereiro, se reuniram para inaugurar o espaço e almoçar. Ao longo da refeição veio à pergunta sobre o porquê e como começou esse hobby.

A resposta é um tanto inusitada. Mário disse que tudo começou em uma viagem a Roma em um vôo da Alitalia. Ao abrir a revista de bordo se deparou com uma propaganda de Whisky da Chivas Regal. O anuncio trazia uma foto de um homem fumando um cachimbo ao lado de uma linda mulher com uma miniatura de um navio na mão. No fundo da foto havia uma caixa da fabricante dos kits para montagem do barco. Então se virou para a esposa e disse: “O cachimbo eu tenho, gosto de fumar. A mulher eu tenho, adoro minha mulher. Quanto ao whisky, adoro beber, meu bisavô era escocês. Mas e a miniatura do barco? Como é que eu faço?”.

Após visitar Roma veio na bagagem de volta para o Brasil o primeiro kit para montar barco e nunca mais parou. Os três primeiros exemplares foram doados aos três filhos. Ao perguntar sobre quanto custa cada barco, Mario desconversa. Os materiais para os barcos variam de preço, mas para a montagem os bons artesãos cobram por hora de trabalho e não dão orçamento. Após a encomenda existem barcos que levam até um ano para ficarem prontos. Se a pessoa aceitar pagar a hora trabalhada é fechado o acordo para a montagem do barco.

Mário Veiga diz que a cada viagem compra mais e mais ferramentas que são o segredo que o ajudam em cada detalhe. “Aos 88 anos a visão não ajuda, é necessário lupa, os dedos doem, são necessários novos equipamentos para compensar as dificuldades impostas pela idade”, fala com bom humor. 

Em suas memórias recorda-se de um dia que foi visitar um museu em Paris. Após visitar o espaço viu pela parede de vidro um artesão dentro da oficina restaurando uma peça. Um trabalho de extrema precisão com cola do tipo super bonder, onde um pingo funciona como solda, mas se for fora do pontinho certo dá um trabalho enorme retirar a cola e recomeçar tudo de novo. O francês com uma idade avançada tremia a mão para acertar o ponto correto.

Mário vendo a situação bateu no vidro e pediu para entrar. O artesão francês pediu que entrasse e perguntou o que desejava. Mario explicou que por causa dos barcos fazia aquele serviço sem jamais errar um pingo. O francês perguntou como ele fazia. Mario pegou uma furadeira com uma broca tão fina quanto aquelas lapiseiras de escola com grafite 0,5. Pegou um pedaço de madeira e furou para servir de guia. Sobre a superfície aonde ia o pingo de cola apontou o local e usando a madeira como guia deu um minúsculo furo. Então pegou um alfinete de costura que colocou no furo e deu um pingo de cola no alfinete que escorreu para o ponto marcado. Ficou tão certinho que é imperceptível depois de pronto. O francês olhou e disse que precisava aparecer depois de tantos anos um brasileiro para ensinar em como fazer aquele serviço e ficou muito agradecido.

Ao longo dos anos foram viagens e mais viagens a Europa buscando novos projetos e visitando barcos originais. Tudo por causa de uma foto inspiradora do Whisky Chivas Regal em um vôo da Alitalia indo para Roma.

Grato por compartilhar,

Bruno do Nascimento Padilha Velasco

Diretor Pedagógico da ONG Projeto Água

Petrópolis – RJ

www.projetoagua.org.br


 

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05fev2018
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